A história que inspirou a lenda do Conde Drácula

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Segundo a crença popular, o Conde Drácula seria um vampiro. Ou seja, um ser mitológico que à noite sai para sugar o sangue humano, roubando a vitalidade das pessoas e assim reunindo forças para se manter vivo.

A figura do vampiro é bastante presente no imaginário popular e nas produções artísticas, como a literatura e o cinema. Este ser “morto-vivo” está inserido em diversas culturas.

Certamente, o romance Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker é uma das obras mais famosas sobre vampiros da literatura. Mas recentemente, a saga Crepúsculo, da escritora norte-americana Stephenie Meyer, fez sucesso abordando esse mesmo tema de uma maneira diferente.

A obra, que também ganhou adaptações para o cinema, deixou de lado a figura assustadora do vampiro e apostou em um romance destinando ao público adolescente.

Conde Drácula foi inspirado em príncipe romeno

O príncipe romeno Vlad Tepes ou Vlad III (1431-1476) foi a inspiração para Bram Stoker criar o Conde Drácula.

Vlad III ocupava o trono da Romênia na época em que o país era dividido entre cristãos e muçulmanos, sendo conhecido por ser perverso e cometer atos cruéis. Por isso, ficou conhecido no imaginário popular romeno como um vampiro.

A tese de que Vlad III era uma criatura sobrenatural se reforçou quando em uma batalha ele sofreu um golpe violento na cabeça. O ferimento fez com que ele ficasse em coma, mas em pouco tempo ele acordou como se não tivesse sofrido nada e retomou ao campo de batalha.

Após esse episódio, os populares começaram a espalhar boatos de que Vlad III teria retornado do mundo dos mortos para ser líder de uma batalha sangrenta na Terra.

O nascimento da lenda

Vlad III nasceu em Sighisoara, na Transilvânia, e era filho de Vlad II, apelidado de Dracul.

Vlad II governou a Valáquia e daí surgiu a alcunha “Dráculea”, que em latim significa “filho do Dragão”. Em romeno, no entanto, “Dráculea” significa “filho do diabo”.

Em 1942, Vlad III, que tinha 11 anos, e o seu irmão mais novo Radu, foram entregues ao sultão otomano Murad II, como uma garantia de que Vlad II iria “andar nos eixos” e não entraria em batalhas com o Império Otomano.

Vlad III aprendeu em Constantinopla (onde atualmente é Istambul), a língua, os costumes e também a ser cruel.

Quando em 1448, Vlad III soube que seu pai e o irmão mais velho, Mircea, haviam morrido há mais de um ano assassinados por uma traição dos nobres de Valáquia, ele retornou à Romênia para recuperar o trono do pai.

Ele demorou para retornar ao poder só conseguindo este feito em 1456, aos 25 anos, quando retornou ao trono de Valáquia.

Foi nessa época que Vlad III ganhou o apelido de “empalador”. O empalamento era a forma de tortura predileta de Vlad III. Neste método de tortura, uma estaca de madeira é introduzida no ânus, vagina ou umbigo da pessoa.

A estaca é fincada de forma vertical, fazendo com que o condenado à morte deslize lentamente.

A morte pode demorar dias para ocorrer. Vlad III adorava fazer suas refeições assistindo seus condenados morrerem lentamente.

Vlad III usava tanto essa técnica que foi apelidado de Tepes, que quer dizer “empalador”.

A morada de Vlad

Com sua obra, Bram Stoker tornou popular o Castelo de Bran, situado entre as regiões romenas da Transilvânia e Valáquia.

O castelo foi construído em 1211 e é bastante parecido com o descrito por Bram Stoker em seu romance. Por esse motivo, o local recebe por ano milhares de turistas que desejam conhecer o “Castelo do Drácula”.

Curiosamente, Bram Stoker nunca esteve na Romênia, mas esse detalhe não impede em nada que o castelo esteja nos roteiros turísticos de quem visita o local.

Há 125 quilômetros de distância do Castelo de Bran, está situado o Castelo Poenari, no vilarejo Arefu. Este castelo era um dos refúgios de Vlad II, além de ter sido usado como um ponto de observação estratégico nas batalhas.

Foi de uma das torres desse castelo que a primeira esposa de Vlad II se atirou. Este episódio foi contado por Bram Stoker em seu romance.

O castelo foi erguido no começo do século XII, durante o governo de Vlad III, que usou a mão de obra dos prisioneiros. Neste mesmo Castelo que Vlad III teria protagonizado uma grande escapada após um ataque turco, em 1462.

Uma passagem secreta interligava o castelo à uma saída escondida entre as montanhas do norte do país. Por lá, Vlad III teria conseguido fugir com a ajuda de moradores dos vilarejos próximos.

O fim de Vlad III

Quando os recursos de Valáquia para a guerra ficaram escassos, um ataque ao Império Otomano tirou Vlad III do poder e, com isso, a única alternativa para ele foi fugir para a Hungria.

Após a fuga para o Império Húngaro, onde permaneceu por 12 anos, Vlad III morreu de forma não muito clara quando tinha 45 anos.

Não se sabe ao certo como ele morreu. Há quem defenda que foi em uma batalha conta os turcos. Outros dizem que a morte ocorreu em uma emboscada armada por nobres descontentes, da mesma forma como Vlad II morreu.

A localização dos restos mortais também gera discussão. Há uma lenda que conta que a cabeça de Vlad III foi separada do corpo e levada para Constantinopla como prova de sua morte.

De fato, Vlad III teve uma vida com muitas inspirações para Bram Stoker criar o famoso Conde Drácula.

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