Síndrome de Cotard: A doença do zumbi

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A Síndrome de Cotard é uma doença bastante intrigante que transforma as pessoas acometidas em “zumbis”. Por esse motivo, é também conhecida como síndrome do cadáver ambulante.

Trata-se de uma condição psicológica bastante rara em que o doente acha que está morto.

Os sintomas da Síndrome de Cotard

Além de achar que está morta, a pessoa pode ainda achar que está com os órgãos internos parados ou necrosados, ou ainda que está sem sangue.

A síndrome pode fazer também com que a pessoa ache que seus familiares e pessoas próximas também estão mortas.

A doença possui vários graus de gravidade. Em casos mais leves, os pacientes ficam ansiosos e desesperados, mas em casos mais avançados, a pessoa nega sua própria existência e a de pessoas próximas.

Este comportamento está sempre ligado a quadros depressivos e também pode surgir em um contexto de doença mental ou neurológica, como esquizofrenia, desrealização e tumor cerebral.

O tratamento é feito a partir de terapia e antidepressivos e, em casos mais graves, o eletrochoque também é usado.

A descoberta da Síndrome de Cotard

O primeiro caso identificado da doença, ocorreu em 1880 pelo neurologista francês Jules Cotard, daí o nome da síndrome.

O médico fez a descrição da situação de Mademoiselle X, que era uma mulher de 43 anos que sofria de uma tristeza e ansiedade grave. A mulher tinha delírios hipocondríacos e acreditava que seus órgãos não existiam.

A partir daí, novos casos foram identificados, sendo um dos mais recentes o de Graham Harrison, de Exeter, no Reino Unido.

Graham tentou se suicidar a partir de eletrocussão, mas a tentativa foi fracassada. Quando ele acordou, passou a acreditar que não tinha mais cérebro.

O homem também dizia que não tinha mais paladar e olfato, além de não sentir vontade de comer. As imagens do cérebro dele mostraram áreas inativas, semelhantes à de uma pessoa em estado vegetativo.

Ele se livrou da doença após anos de tratamento com remédios e psicoterapia.

Relações com outras síndromes

Acredita-se que a Síndrome de Cotard pode ter relação com problemas de personalidade e delírio.

Por isso, a doença pode está relacionada com a Síndrome de Capgras, em que os doentes acreditam que as pessoas ao seu redor foram substituídas por impostores.

Esses delírios seriam resultantes de falhas neurológicas da área fusiforme da face do cérebro e na amígdala cerebelosa.

A área fusiforme da face é a responsável pelo reconhecimento dos rostos. Já a amígdala cerebelosa associa emoções a um rosto conhecido.

A desconexão nessas áreas faz com que o paciente tenha a sensação de que o rosto que está observando não é o da pessoa a quem pertence, incluindo o seu próprio.

Esta sensação gera no paciente desconexão e despersonalização, já que o paciente ao observar seu próprio rosto não consegue fazer uma associação, o que acaba gerando uma negação de si mesmo. Daí a explicação da pessoa achar que está morta.

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