Sombra e Escuridão: Os leões devoradores de homem

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Em 1898, durante a construção de uma ferrovia sobre o Rio Tsavo, no Quênia, dois leões passaram a aterrorizar os acampamentos dos trabalhadores.

O tenente coronel irlandês John Henry Patterson (1865 – 1947) , que foi designado para supervisionar a obra, descreveu no livro publicado em 1907 “Os Devoradores de Homens de Tsavo“, como sendo leões sem juba, medindo cerca de 3 metros de comprimento, do focinho a cauda.

Especialistas afirmaram posteriormente que o fato dos leões não terem juba pode ser um indício do excesso do hormônio testosterona, o que também explicaria a alta agressividade dos animais.

Massacre no acampamento

Na primeira semana, os leões atacaram trabalhadores que foram buscar lenha. Um mês após os primeiros ataques, os felinos já estavam mais audaciosos e invadiam tendas e cabanas dos trabalhadores durante a noite.

Os leões instauraram um clima de completo terror no acampamento, devorando homens ainda vivos.

Em uma noite, um dos animais conseguiu entrar rastejando em uma tenda hospitalar e massacrou dezenas de pessoas que dormiam.

Para evitar novos ataques, a enfermaria foi colocada no centro do acampamento e cercada de espinhos e fogueiras. Postos estratégicos com atiradores foram colocados no acampamento para tentar alvejar os leões.

Contudo, de nada adiantou, pois na madrugada seguinte as feras trucidaram um dos enfermeiros do posto de vigia.

De acordo com os registros da época, em nove meses aproximadamente 140 pessoas morreram vítimas dos ataques.

A fúria dos animais era aterrorizante

Os nativos acreditavam que habitavam nos leões espíritos de dois chefes curandeiros que haviam voltado para se vingar. Por essa razão, eles ficaram conhecidos como Sombra e Escuridão.

Os trabalhadores perceberam que os leões não matavam apenas para comer, eles possuíam uma fúria assassina. Das mortes contabilizadas, apenas 35 pessoas teriam sido devoradas.

Traumatizados, os trabalhadores sobreviventes paralisaram a obra com uma greve. Com medo, muitos deles abondaram as obras e foram embora.

A caçada aos leões de Tsavo

John Henry Patterson organizou um grupo para caçar as feras. Mas, os animais driblavam cada armadilha dos caçadores.

Para atraí-los para fora do acampamento, Patterson espalhou o sangue de três cabras mortas no pé de uma plataforma que ele camuflou com folhas.

Escondido no alto de uma árvore, Patterson disparou seis vezes, acertando mortalmente um dos leões no coração.

O outro leão escapou e Patterson repetiu sua estratégia. Na manhã de 29 de dezembro, o leão voltou e foi atingido por uma bala e fugiu ferido pelo matagal.

Acuada, a fera foi abatida com um tiro no peito e outro na cabeça. Esse foi o fim de Sombra e Escuridão.

A explicação para o comportamento dos leões

Durante o século XX, muitos foram os estudos que buscaram explicações para o comportamento dos leões.

De acordo com peritos da Universidade Roosevelt, em Chicago, os felinos estariam caçando seres humanos após a peste bovina ter dizimado as presas usuais.

Os corpos abandonados pelo tráfico negreiro próximo ao rio teria influenciado esses animais a tomarem gosto por carne humana.

Sombra e Escuridão estão em exposição

Patterson vendeu a pele e o crânio dos leões por US$ 5 mil ao Museu Field, de Chicago. Os animais foram empalhados e desde 1924 estão em exposição no museu.

Em 1996, o filme “The Ghost and the Darkness” (A Sombra e a Escuridão) , de Stephen Hopkins, contou a história dos leões devoradores de homens. John Henry Patterson foi interpretado por Michael Douglas.

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