Centralia: A cidade que não para de queimar

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No Condado de Columbia, na Pensilvânia, Estados Unidos, está Centralia, a cidade abandonada que não para de queimar.

Em 1962, Centralia foi evacuada por conta de um incêndio em uma mina de carvão. A cidade não para de queimar, o que fez com que ganhasse o status de cidade fantasma.

O início do incêndio

O incêndio subterrâneo começou em um aterro de lixo que havia na cidade. No dia 27 de maio de 1962 (um domingo), as autoridades não sabiam o que fazer com toneladas de lixo que se acumulavam no aterro sanitário da região.

Na segunda-feira seguinte seria comemorado o Memorial Day, que é um feriado dedicado aos militares norte-americanos que morreram em combate.

Como o aterro estava localizado ao lado do cemitério, o cheiro do lixo ia causar insatisfação. Pensando nisso, decidiu-se colocar fogo na sujeira e limpar para causar uma boa impressão.

O problema era que o aterro estava em um local em que já havia um grande buraco no chão, deixado por uma mina de carvão desativada.

As minas de carvão conforme se tornam mais profundas interceptam túneis de minas subterrâneas mais antigas. Por isso, seria necessário tomar providências de seguranças, como selar os buracos com material anti-incêndio, o que poderia evitar com eficiência que as chamas atingissem esses túneis.

Antigamente, era uma prática comum transformar minas de carvão desativadas em aterros sanitários e os funcionários do governo deveriam inspecionar com frequência para saber se estava tudo dentro das normas de segurança.

Contudo, as camadas não foram apagadas por completo e chegaram por meio de fissuras até a mina de carvão abandonada.

No dia 29, o fogo reapareceu e desde então não foi mais apagado. A queima resultou em gases tóxicos que fizeram com que os moradores começassem a apresentar problemas de saúde.

Devido aos gases e altas temperaturas, os comércios começaram a fechar e os habitantes passaram a deixar a cidade.

Demora fez com que o fogo ficasse mais difícil de ser extinto

No início, o incêndio poderia ser apagado com facilidade caso a área afetada tivesse sido escavada.

Entretanto, o incêndio na mina de carvão se tornou um problema de estado e questões burocráticas impediram que o trabalho fosse feito de forma rápida.

Quanto mais o tempo passava mais o incêndio ia se alastrando, o que tornou mais difícil o controle das chamas.

Tentativas foram feitas para controlar as chamas

Em julho de 1962 foram feitas algumas tentativas para apagar as chamas e valas foram escavadas de forma equivocada, o que acabou agravando ainda mais a situação.

Houve também a tentativa de injetar areia úmida, água e argila para extinguir o fogo, mas a tentativa também foi frustrada.

Cogitou-se cavar uma vala, o que poderia ser eficiente para controlar o fogo, mas novamente questões burocráticas relativas ao estado fizeram com que essa tentativa não ocorresse e o fogo se alastrou cada vez mais.

Outra alternativa seria inundar os túneis, mas a quantidade de água necessária para fazer o resfriamento seria gigantesca, o que tornava o processo logisticamente inviável.

De acordo com o, até então, secretário de meio ambiente da Pensilvânia, Maurice Goddard, a única solução eficaz seria fazer a escavação do material disponível, o que resultaria em um valor superior a 600 milhões de dólares.

Como está Centralia atualmente

Da década de 1970 para cá, mais de 600 construções de Centralia foram destruídas. O incêndio é muito difícil de ser controlado, pois ainda que todas as entradas sejam vedadas o oxigênio continua a penetrar por fissuras do solo.

A estimativa é que o fogo subterrâneo, que se espalhou por uma área de 15 quilômetros quadrados, dure cerca 250 anos. O calor na área é tanto que quando faz frio, a neve derrete logo quando toca no solo.

Por isso, Centralia, que na década de 1960 era uma promissora cidade norte-americana, segue queimando e sendo a cidade fantasma mais quente do planeta.

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