O que houve com o submarino argentino Ara San Juan?

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O submarino argentino ARA San Juan (S-42) tinha partido de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, para voltar ao Mar del Plata, a 400 km ao sul de Buenos Aires.

Ele teve contato perdido no dia 15 de novembro de 2017 enquanto navegava no Golfo San Jorge, a 450 km da Costa.

As buscas pelo submarino começaram cerca de 48 horas após a perda de contato e contou com a ajuda de 13 países, incluindo o Brasil, mas como não se teve nenhum resultado, a maioria se retirou das buscas antes de acabar o ano.

O ARA San Juan era um submarino tipo TR-1700, que esteve a serviço da Marinha Argentina entre os anos de 1985 a 2017.

Família da tripulação viveu a angústia das buscas frustradas

As famílias dos 44 tripulantes do submarino viveram a angústia de vários meses sem saber o que aconteceu como submarino.

Alguns dos familiares chegava até mesmo a ir todos os dias à base naval de Mar del Plata em busca de notícias sobre o submarino.

Após quinze dias do último sinal, a Marinha decretou que não seria mais possível as buscas por sobreviventes. Assim, as operações navais voltaram seus esforços somente para encontrar a embarcação e não para os resgates.

No dia 05 de dezembro, o governo argentino confirmou oficialmente que os 44 tripulantes do ARA San Juan estariam mortos.

Os familiares criticaram a Força Naval por suspeitarem que informações estavam sendo escondidas. Por conta do caso, o comandante da Marinha Marcelo Srur foi destituído do caso.

Marcelo Srur

Por um tempo, alguns familiares ainda alimentavam a esperança de que o submarino poderia ter tomado um outro rumo e que os tripulantes estariam vivos.

O que teria acontecido com o submarino

Uma das hipóteses é que o submarino foi vítima de uma explosão, já que três horas após a última comunicação com o submarino foi registrada uma explosão no local em que ele estava.

As estações captaram no local em que o submarino estaria nesse dia o que chamaram de uma “anomalia hidro acústica incomum, curta e violenta”, que se assemelhava a uma explosão. A energia liberada por essa suposta explosão foi de aproximadamente 5.7 toneladas de TNT.

Esquema de funcionamento submarino argentino ARA San Juan

Na última comunicação, o capitão da embarcação havia reportado que uma falha no sistema de baterias, devido à entrada de água pelo snorkel, tinha sido superada. Este incidente havia causado um princípio de incêndio na casa de baterias da embarcação.

Anteriormente, alguns tripulantes haviam falado que o submarino teria sido seguido por navios ingleses.

Tripulação do submarino ARA San Juan

Já alguns familiares tinham a suspeita de que a embarcação poderia ter passado pela zona de exclusão das Ilhas Malvinas, na qual a soberania teria sido o motivo de um conflito entre Argentina e Grã-Bretanha, em 1982.

As autoridades da Argentina negavam que a embarcação teria sido alvo de ataques e suspeitavam que os destroços estariam a uma profundidade de cerca de 3.000 metros.

Segundo as autoridades, o submarino teria sofrido uma explosão causada por acúmulo de hidrogênio.

Ilustração dos destroços do submarino ARA San Juan

Submarino é encontrado um ano após o desaparecimento

No dia 16 de novembro de 2018 os restos do submarino foram encontrados nas buscas da Ocean Infinity, empresa privada norte-americana.

Os destroços estavam a 800 metros de profundidade e a 600 km da Cidade de Comodoro Rivadavia, que faz parte da Patagônia argentina.

A Ocean Infinity rastreou o fundo do mar durante dois meses. A empresa contou com 40 tripulantes que estavam a bordo no navio Seabed Constructor.

Ilustração: Navio Seabed Constructor rastreando o fundo do mar

Somente para encontrar o submarino, a empresa cobrou para o governo argentino US$ 7,5 milhões. Por conta da profundidade, a recuperação dos destroços foi tida como incerta.

Para o resgate seria necessária uma nova contratação de buscas, já que quando o submarino foi encontrado a Marinha argentina informou que a embarcação tinha sofrido uma implosão, isto é, uma forte descompressão, estando no fundo do mar e com destroços espalhados.

A profundidade que o ARA San Juan poderia navegar era de 370 metros.

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